Sorvete Nostalgia

 

A Carol me pediu para começar pelo começo, então vamos lá. Para quem não sabe, sou professora de história. E tenho dado tantas aulas que até ando sem receitas por aqui, por isso vou compartilhar uma experiência gastronômica que valeu pelo gosto do melhor sorvete do mundo!

Além de dar aula na PUCPR, também dou aula na Escola do Bosque Mananciais, uma escola que adota o método de educação personalizada de Fomento de Centros de Enseñanza.

Para o “detestável” módulo de Brasil Colonial do sétimo ano (os alunos costumam não gostar nada dessa parte), adotei a metodologia de zonas de trabalho. É uma prática que aprendi na formação de Fomento e que, particularmente acho genial, porque trabalha tanto com desafios dentro da temática de estudo, como com o treinamento das escolhas (por que tem coisa mais importante na vida do que “aprender” a escolher- ou meramente, a ter critérios de escolha?!)

Uma das opções de trabalho era a análise do primeiro livro de receitas doces publicado em Portugal: “Arte Nova e Curiosa para Conserveiros e Confeiteiros e Copeiros” de 1788, contexto em que o Brasil se destacava pela produção de açúcar.

E um dos desafios dessa atividade era descobrir como se fazia sorvete no século XVIII sem que houvesse congeladores.

Clique na foto para ver maior.

As alunas que escolheram essa atividade não se atemorizaram diante da fonte histórica, e constataram a partir da leitura do português oitocentista, de que a sorveteira daquele período era muito semelhante à sorveteira de brinquedo das crianças- um tambor em que se coloca gelo e sal, que é posto dentro de um recipiente por onde passa a mistura líquida, e que pelo contato com o tambor de gelo, se converte em “gelado” (termo através do qual os portugueses designam sorvete).

Para a aula seguinte, decidimos que elas iriam fazer sorvete “à moda oitocentista”. E escolheram fazer sorvete de limão que, além de ser a opção mais fácil, tinha relação com a fonte histórica, pois era uma fruta muito citada na mesma.

Fiquei coordenando a atividade das meninas e as assistindo se deliciarem com o sorvete, um simples suco de limão com muito, mas muito açúcar, gelado.

Confesso não senti saudade do sorvete que fazíamos na sorveteira quando éramos crianças. Ficávamos com uma certa frustração porque o sorvete não ficava assim tão gelado, nem tão aerado e, para completar, ainda deixávamos escapar um pouco do gelo derretido com sal que ficava dentro do tambor, na massa, para dar um toque final “delicioso” no sorvete com gosto de travessuras infantis.

Mas a festa que elas fizeram no refeitório da escola me lembrou muito as nossas tardes de Natal na casa dos avos. A diversão toda sim, nostalgia pura!

 

Mari

Sobre a Mari

Sou irmã da Carol e da Helena, e prima da Camila. Passo mais tempo estudando sobre comida do que cozinhando. Apesar disso, gosto muito de cozinhar e o faço como desculpa para reunir as pessoas.

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